A depilação masculina começou como uma necessidade para aumentar o desempenho desportivo, no ciclismo. Saiba o que levou os homens a aventurarem-se na eliminação dos pêlos, antes tipicamente feminina.

Chamavam-no de "o diabo roxo", mas o seu verdadeiro nome era Giovanni Gerbi, um campeão nos primeiros anos do século XX. Além de suas vitórias, passou para a história do desporto como o pioneiro das pernas depiladas.


Sabe-se que nos primórdios do ciclismo, os corredores eram tão despreparados que hoje até parece piada: sem regras, sem treinamento e sem planejamento.

Na primeira Paris-Brest-Paris em 1891, disputada em 1196 Km a maioria dos corredores disse que jamais haviam pedalado mais de 100Km num único dia.


Com o passar do tempo, o desporto foi ficando mais popular e evoluido. Assim as equipas começaram a contar com treinadores e massagistas. Porém, os pêlos que cobriam as suas pernas impediam uma boa massagem com unguentos ao mesmo tempo que dificultavam a recuperação em caso de quedas.


A solução foi mostrada por Giovanni Berbi. Italiano de Asti (04/06/1885) que ganhou o Giro de Lombardia em 1905 e o Giro de Piamonte em 1906, 1907, e 1908. Foi um pioneiro no ciclismo italiano e mundial além de um defensor de novas técnicas.


Dentre suas ideias destacam-se o hábito de percorrer previamente o trajeto da prova para escolher a melhor relação (lembrando que era uma época pré-câmbio), investigar a forma física de seus adversários nas corridas anteriores, usar camisa de seda ao invés de algodão e, principalmente, depilar suas pernas e a cabeça, buscando uma rudimentar melhoria na aerodinâmica, numa época que esse conceito sequer existia. Sua primeira aparição com as pernas depiladas foi em 1903 na Milano-Alessandria, onde ganhou apenas uma etapa e o apelido, alusão a cor de sua roupa.


Mas a sua ideia não vingou e acabou esquecida pela a ignorância, o preconceito e o medo do ridículo. Somente passados 20 anos o hábito retornou, desta vez com outro italiano, Leonida Frascarelli, terceiro no Giro d’Italia daquele ano.

Os seus companheiros de equipa (Ideor-Pirelli) não acreditaram na técnica, assim como os cronistas desportivos que ironizaram o aspecto de rabo de bebé das pernas de Leonida: para eles, um corredor era um paradigma de força e sofrimento, e devia ter esse aspecto. Mesmo assim, a prática fortaleceu-se contra aqueles que diziam que era uma mudança apenas estética (e que de fato há).

As vantagens numeradas para as pernas lisas vão desde uma maior aerodinâmica (sensível, mas existe) até o médico, já que a ausência de pêlos representa um risco menor de infecções em caso de quedas e facilita a limpeza dos ferimentos. A hora da massagem é vantajosa para aqueles de pernas lisas, já que os pêlos dificultam o trabalho.

in Pedalavalle