Depilação pode ser considerada um procedimento de higiene e bem-estar, porém é praticada com objectivos estéticos, em função de vários factores.

Não é novidade para ninguém que existem cada vez mais homens preocupados com o seu aspecto e bem-estar. Associado a esta tendência, nasceu há um par de anos o conceito metrosexual, termo que designa o homem que vive nas grandes cidades, empreendedor e bem sucedido, entre 25 e 45 anos, que se preocupa com o aspecto visual, que gasta dinheiro para cuidar do corpo, da alma, da pele, do guarda-roupa e... que se depila.

O ícone máximo da metrosexualidade é David Beckham, futebolista inglês, que fez disparar os lucros das indústrias da moda e da cosmética. O 'ser' metrosexual espalhou-se pelo mundo desportivo e hoje são muitas as caras que dão 'conteúdo' ao termo. Cristiano Ronaldo é o mais recente 'produto' da metrosexualidade.

Com esta evolução, começou a deixar de fazer sentido que a depilação fosse considerada uma tarefa exclusivamente das mulheres, e que não é preciso ser homossexual para um homem se depilar. Os pêlos fazem parte de nós, mas muitos não resistem em retirá-los, seja por uma questão de higiene, de bem-estar, ou tão simplesmente de moda.

'Este grupo não sei se depila, mas no ano passado tinha alguns atletas na selecção da Madeira de sub-20 que se depilavam', conta Rui Mâncio, director técnico da Associação de Futebol da Madeira.

'É essencialmente uma moda. Não acredito que esta questão [depilação] seja somente higiénica. É verdade que um indivíduo com uma certa pilosidade quando submetido a massagens não tem a tarefa facilitada, mas não é um factor determinante. Facilita, é verdade, mas não deixa de ser uma moda. A pilosidade é uma característica regressiva do homem, tendenciosamente o ser humano nasce com cada vez menos pêlos, mas hoje a depilação é uma moda ditada pelas passarelas', acrescentou Rui Mâncio, que na sua altura, conta, 'era precisamente ao contrário, a pilosidade era um factor de masculinidade'. Hoje não é mais. A tendência é essa.

José Manuel Ramos, especialista em medicina desportiva, garante que a depilação 'é uma mera moda'.

'A grande moda da depilação começou na natação, para ganharem algumas décimas de segundo nas corridas de velocidade. Depois apareceram os fatos de banho integrais e já não se justificava rapar. Por isso entendo que é uma moda como outra moda qualquer, que se irá esgotar. As músicas que são feitas por máquinas, com determinados sons e compassos, são modas sem futuro, o mesmo acontece com a depilação que para mim deixará de estar em voga. Dentro de uns anos voltaremos à normalidade', anteviu o médico, que avisou ainda para os perigos da prática depilatória. 'Se um qualquer indivíduo tem uma doença da pele e está constantemente a rapar irá espalhar a doença', alertou o médico.
Chainho faz depilação para sentir-se leve


Chainho é um dos muitos jogadores que faz depilação. O médio do Nacional deu a 'cara' naquele que é ainda um assunto tabu, embora já seja cada vez mais encarado com naturalidade. 'Faço depilação nas pernas e sinto-me mais leve. O uso das ligaduras aleija quando temos pêlos, por isso faço depilação', disse Chainho, que reconhece que esta é também uma questão de moda. 'Podemos também encará-lo dessa forma, mas não vejo a depilação somente como uma moda. Para mim é uma questão de higiene, de me sentir mais leve. Quando estava no FC Porto já havia muitos jogadores que o faziam e penso que cada vez mais futebolistas retiram os pêlos', revelou.

A moda não chegou a todos. Luís Olim, por exemplo, nunca fez depilação, mas isso não significa que seja contra. 'Os que se depilam fazem-no por causa das massagens, para evitar o encravar e o enrolar dos pêlos. Nunca me senti tentado a fazê-lo, mas encaro com naturalidade essa tendência. É uma opção de cada um. Eu não o faço porque sinto que não serei beneficiado em nada', destacou, reconhecendo ainda que esta é também uma moda, 'imortalizada' pelos grandes craques do futebol actual. 'Está a começar a ser uma moda. Há muitos jogadores que seguem esta tendência', revelou.

A empresária da área de serviços (cabeleireiros) Teresa Spínola referiu ao DIÁRIO que já existem muitos homens que procuram os seus serviços estéticos. 'Maior parte faz depilação por uma questão de higiene. A depilação masculina faz parte da higiene íntima das pessoas e pode ser feita em todas as partes do corpo, pernas, sobrancelhas e rosto. Hoje há uma maior abertura para este tipo de tratamentos. A moda ajudou, mas não é não só pela moda que os homens se depilam. Como já referi é mais por uma questão de higiene', revelou.

Por sua vez, a esteticista Teresa Rolo explicou que há vários tipos de depilação, como por exemplo a cera, a lazer, ou através da fotodepilação - estas últimas duas eliminam os pêlos para sempre. Métodos que não são muito 'apreciados' pelos desportistas, que apenas fazem a depilação momentânea, isto é, enquanto dura a prática desportiva.

'Há cada vez mais homens a recorrer à depilação. O homem está cada vez mais aberto para as perspectivas que lhes apresentamos e recorrem a métodos que não deixam os pêlos mais fortes quando voltam a crescer. Nas primeiras vezes chegam algo envergonhados, mas depois soltam-se e até falam deste assunto que ainda é discriminatório. Esteve consignado durante centenas de anos que era somente a mulher que deveria cuidar-se e que os homens que o faziam eram homossexuais. Felizmente esta tendência está a desaparecer. Os homens também têm pele, também sofrem as agressividades do clima, não são só as mulheres, no entanto, a sociedade ainda não é totalmente tolerante', destacou.

in Diário de Notícias Madeira